São Paulo, 29 de setembro de 2025 – O ritmo atual das mudanças climáticas impõem celeridade na adoção de tecnologias capazes de reduzir emissões e aumentar resiliência. Sem mitigação relevante, o mundo demandará dois planetas até 2030 e as mudanças climáticas podem reduzir o PIB global em 11%–14% até 2100 (≈ US$ 23 trilhões/ano). Para que o Brasil cumpra seus compromissos de descarbonização e acelere a transição para uma economia mais sustentável, é urgente investir em tecnologias capazes de enfrentar desafios complexos — como reduzir emissões industriais, adaptar cadeias produtivas à escassez hídrica, desenvolver novos materiais e impulsionar soluções baseadas na natureza.
As soluções de base científico-tecnológica tornam-se decisivas para enfrentar a crise climática. O Brasil detém 70% dos pesquisadores, 47% das soluções científicas e 58% das patentes da América Latina, mas a maioria das deeptechs ainda está em estágio inicial de maturidade: apenas 30% alcançou comercialização e escala.
Neste contexto, o Quintessa lança o DeepClimate — Ciência e tecnologia brasileira para o clima e inicia o primeiro mapeamento nacional de deeptechs climáticas, com inscrições abertas até 8 de outubro de 2025, através do site www.deepclimate.com.br.
O mapeamento, Panorama DeepClimate Brasil, foca em soluções para o clima baseadas em pesquisa intensiva, inovação científica e tecnologia de ponta e tem como objetivo de gerar inteligência para o ecossistema, ampliar a visibilidade das deeptechs junto a parceiros estratégicos, além de funcionar como porta de entrada para um programa de aceleração. O programa é voltado a dar a elas apoio técnico e tecnológico (mentorias, formações, orientação individualizada sobre gestão e modelo de negócio), aproximá-las de clientes, conectá-las a fontes de capital e destravar a travessia do laboratório ao mercado, abrindo novas rotas de crescimento e escala para as deeptechs.
O Panorama está organizado em quatro áreas temáticas prioritárias: Uso da terra, descarbonização da agricultura e soluções baseadas na natureza; Descarbonização da indústria e energia; Água, saneamento e economia azul; e Desastres climáticos e justiça climática.
As deeptechs são empreendimentos que nascem de pesquisa científica profunda e inovação tecnológica de ponta, criadas para resolver desafios estruturais da sociedade e da indústria. Diferem das startups tradicionais porque, ao desenvolverem tecnologias de robustez profunda, exigem ciclos mais longos de desenvolvimento, validação experimental, certificações e estruturas laboratoriais especializadas, além de alta densidade de capital intelectual. Assim, vão além das inovações incrementais e possuem capacidade de crescimento exponencial e de reconfigurar setores inteiros, gerando alta adicionalidade na pauta ambiental integrada ao alto retorno financeiro.
Entre os exemplos de deeptechs está a IGVTech, fundada por duas cientistas com doutorado em Genética e Melhoramento de Plantas pela ESALQ/USP, especializada em micropropagação in vitro de espécies nativas de difícil germinação para restauração ecológica e produção de biocombustíveis — com atuação junto ao IPÊ e à Biofílica —; há também exemplos de aplicação de inteligência artificial e sensores ópticos para monitorar queimadas e prever riscos climáticos extremos, inovações em captura de carbono baseadas em novos materiais biotecnológicos, entre outras.
A iniciativa acontece em um momento em que entidades como Finep, CNI, BNDES, CGEE e Sebrae avançam na formulação de uma Estratégia Nacional de Apoio ao Desenvolvimento das Startups Deep Techs e seus Ecossistemas, que busca ampliar o conhecimento sobre as deeptechs, remover barreiras regulatórias e criar instrumentos de apoio adequados a cada estágio de maturidade tecnológica. Esse contexto reforça a urgência de identificar quais são essas iniciativas, suas características, os obstáculos que enfrentam e as condições que favorecem seu avanço — e é exatamente isso que o Panorama DeepClimate Brasil entregará: um retrato público do ecossistema, com inteligência acionável para orientar apoio técnico, mercado e fluxo de capital.
A iniciativa é realizada pelo Quintessa, financiada pela The Lemelson Foundation e conta com a parceria de atores-chave do ecossistema como MDIC, MCTI, SCTI-SP, Climate-KIC, Climate Ventures, Fórum Brasileiro de Climatechs, Caos Focado, Wylinka, Emerge, IPT, Swissnex, FUNDEPAR e KPTL.
Essa nova natureza de empreendimentos tem o potencial de abrir novos caminhos para o crescimento econômico sustentável e resiliente. O Brasil, com sua biodiversidade única, base científica sólida e vasto capital natural, está em posição estratégica para liderar esse movimento em escala global. Assim, a iniciativa se propõe a gerar um pipeline de tecnologias prontas para escalar, de forma que sejam adotadas na operação de empresas, implementadas em projetos filantrópicos e investidas por fundos e CVCs. O programa DeepClimate alicerça a ponte entre atores intersetoriais e, bem sucedido, pode redefinir o papel do Brasil na economia da transição climática.
Serviço:
DeepClimate – Mapeamento de deeptechs climáticas no Brasil
Objetivo: Mapear empreendimentos de base científica e tecnológica com soluções para a crise climática
Áreas prioritárias: Uso da terra, descarbonização da agricultura e soluções baseadas na natureza; Descarbonização da indústria e energia; Água e economia azul; Desastres e justiça climática
Período de inscrição: até 8 de outubro de 2025
Link: www.deepclimate.com.br


