Diálogos Quintessa | Entrevista com Carolina Pecorari, da Ambev

Tempo de leitura: 21 minutos

Na terceira edição do Diálogos Quintessa, convidamos Carolina Pecorari, diretora de Sustentabilidade e ESG da Ambev para a América Latina. Falamos sobre as metas de sustentabilidade da Ambev, o processo de definição delas e o papel da inovação aberta e das iniciativas internas para alcançá-las, além de como a sustentabilidade está distribuída em toda a companhia.

Você pode acessar a entrevista na íntegra em formato de áudio e vídeo, ou na leitura do texto abaixo.

 

Como foi a sua trajetória na Ambev e quais suas principais responsabilidades hoje?

Cheguei na Ambev em 2013 a convite de um amigo, com um frio na barriga de sair do escritório de advocacia em que trabalhava. Comecei como especialista sênior no jurídico corporativo, na área de fusões e aquisições, com o dia a dia societário e contratos. Depois de dois anos nessa área fiz o investimento da Ambev na Cervejaria Wals, e criamos a ZX Ventures, que na época era o braço de inovação da Ambev para fazer testes. Com essa entrega me tornei sócia da Ambev e assumi a gerência regional jurídica SP-SUL, saindo completamente da minha zona de conforto e do que estava acostumada a fazer. Depois fui convidada para uma vaga de Gerente Jurídico e de Relações Corporativas, em que fiquei por quatro anos com muito amadurecimento, crescimento e desafios. Durante esse período tive o meu primeiro filho, e quando ele estava com um ano e meio comecei a me questionar: o que estou fazendo para o mundo que o meu filho vai viver? A famosa busca por propósito. 

Este momento, em 2018, coincidiu com o anúncio das metas de Sustentabilidade para 2025 da Ambev, em que percebi que para buscar esse propósito não precisaria sair da empresa, poderia fazer uma mudança de área. Já tinha alguns amigos que trabalhavam na área de Sustentabilidade e meus chefes na época sabiam o que eu estava buscando, então comecei a conversar com algumas pessoas, e naquele momento o antigo diretor de Sustentabilidade estava de saída. Só que eu estava grávida de dois meses da minha segunda filha, pensando se já contava ou não (costumo contar após o terceiro mês), e quando conversei com o Rodrigo, meu atual chefe, VP de Sustentabilidade e Suprimentos já estava com cinco meses de gestação, então perguntei sobre isso, que em poucos meses sairia de licença maternidade. Foi muito bacana porque eu testei o ‘walk the talk’, se a companhia estava mesmo comprometida com o que vinha falando, e ele reagiu muito bem, de que não havia problema nenhum, que eu sairia de licença e quando voltasse faríamos as grandes entregas. Voltei da licença no começo da pandemia e já teve bastante coisa que entregamos e que teve bastante reconhecimento.

Quando eu comecei, a área era Sustentabilidade e Tecnologia para compras, a medida que foi crescendo, assumi empreendedorismo, relacionamento com fornecedores e CVC. No início do ano tiramos a parte de tecnologia da minha responsabilidade porque os assuntos estavam muito grandes e as agendas incompatíveis. Então esses são meus principais desafios hoje.

06:00 | Quais são as metas de sustentabilidade da Ambev e como foi o processo para a definição delas?

A sustentabilidade na companhia vem de longa data, antes de sermos Ambev, quando éramos Brahma e Antarctica. Nosso ex-CEO, Carlos Brito, sempre disse que “a sustentabilidade não faz parte do nosso negócio, ela é o nosso negócio”. Então sempre tivemos metas internas com olhar pra dentro de casa, relacionadas à descarbonização, eficiência hídrica, eficiência energética e redução de resíduos. Ao longo do tempo fomos amadurecendo e tendo mais consciência de que a gente fazia parte de um ecossistema muito maior, não só dentro da nossa empresa, nos nossos muros e com nossos funcionários. Começamos a olhar desde o agricultor que planta a cevada, a mandioca e outras matérias primas, passando pelos nossos funcionários, pelos pontos de venda e até os milhões de consumidores, e começamos a perceber que tudo que a gente fazia impactava também e temos esse papel de agir e impactar positivamente, transformando de forma positiva o ecossistema. Em 2018, quando anunciamos nossas metas para 2025, incluímos também o ecossistema. Fomos uma das primeiras empresas a incluir, por exemplo, metas de carbono pensando também na nossa cadeia de valor.

Nossas metas para 2025 estão divididas em cinco metas globais, sendo uma delas o Empreendedorismo, que incluímos aqui no Brasil, e quatro ambientais:

  • Água: ter 100% das comunidades em áreas de alto estresse hídrico em que operamos com melhoria na qualidade e disponibilidade da água de forma mensurável
  • Agricultura sustentável: ter 100% dos agricultores com os quais nos relacionamos devidamente treinados, conectados e com estrutura financeira para desenvolver o plantio de forma mais sustentável
  • Mudanças climáticas: 100% de nossas operações operando com energia renovável e 25% de redução de emissão de carbono em toda a cadeia (escopos 1, 2 e 3, nossas próprias operações, energia comprada, embalagem, agricultura e logística)
  • Economia circular: 100% das embalagens dos produtos retornáveis ou com conteúdo majoritariamente reciclado
  • Empreendedorismo: 100% dos pequenos e médios empreendedores capacitados e criando valor para o ecossistema com inclusão, inovação e colaboração 

As metas são grandes guias para nós, mas não nos limitamos a elas. Se enxergamos oportunidades que podemos ir além do que definimos lá atrás e, melhor ainda, que podem beneficiar mais parceiros do nosso ecossistema, lançamos e corremos atrás para alcançar esse novo desafio. Dois grandes exemplos disso, são: o compromisso do plástico, que anunciamos no início deste ano, cujo objetivo é eliminar a poluição plástica das nossas embalagens até 2025, seja através da redução e/ou substituição do uso do plástico nas embalagens, seja usando somente conteúdo reciclado, seja usando novas tecnologias tanto para tornar o plástico reciclável, quanto para biodegradação do plástico sem prejuízo ao meio ambiente, sempre com apoio de parceiros, que incluem fornecedores, cooperativas de reciclagem, startups e universidades. Já reduzimos em um terço a quantidade de plástico usada nas nossas embalagens. Outro grande exemplo foi a solução de estender a iniciativa de abastecer nossas operações com energia solar para os pontos de venda parceiros, como mencionei antes. Temos uma parceria com a startup Lemon, em que apresentamos para os nossos pontos de venda parceiros e eles se conectam a energia renovável, reduzindo o custo de energia de forma sustentável.

11:20 | Você mencionou que a partir das quatro metas globais, incluíram uma quinta que é Brasileira. Como foi esse processo de “tropicalizar” as metas? Isso aconteceu em outros países também? 

A gente trabalha muito perto do global, temos reuniões frequentes com eles, que sempre falam que a América Latina é uma inspiração. Pra gente foi muito natural, porque quando lançamos as nossas metas, já tínhamos nossos programas de aumentar a base de fornecedores locais, mais próximos das nossas operações, com a plataforma By Local. Temos um trabalho forte de relacionamento com feiras, procuramos melhorar o relacionamento com os fornecedores, praticando bastante a escuta ativa. Mais recentemente também olhamos para a questão de aumentar a diversidade racial e de gênero nos nossos fornecedores. E também em 2018 lançamos a versão brasileira da Aceleradora 100+, que foi lançada uma versão global e nós criamos aqui também, procurando inovação e soluções de startups para nos ajudarem a atingir nossas metas.

Percebemos também que tínhamos muitas boas práticas dentro de casa, como eficiência hídrica e elétrica, e começamos a compartilhar isso com a nossa cadeia de valor. Para isso temos um site em que as empresas podem preencher um questionário que é gratuito para identificar o que elas podem fazer para melhorar a forma como usam a água e energia. Outra iniciativa é o VOA Empreendedores, que são aulas de gestão, queremos compartilhar conhecimento de forma gratuita para a comunidade e para os pequenos e médios empreendedores. 

15:00 | As metas têm tudo a ver com a sobrevivência do negócio a longo prazo, por exemplo, quando falamos da água e agricultura, são insumos importantes para os produtos da Ambev. A definição delas adotou essa lente?

Nossas metas foram definidas considerando a nossa matriz de materialidade, que nada mais é do que uma ferramenta utilizada para elencar as prioridades de diversas áreas dentro de ESG sobre a percepção dos stakeholders (consumidores, investidores, funcionários, por exemplo) de temas atuais, que impactam nosso negócio e que são prioritários para nós.

Por isso, ao formar a matriz ela fica alinhada com o nosso negócio. A água é 95% do nosso produto, não tem como não ser importante pra nós. Ao longo do tempo vimos nosso papel no ecossistema e, como comentei, não poderíamos falar somente de metas pra dentro de casa e começamos a considerar a cadeia de valor como um todo.

17:20 | O quanto a sustentabilidade está influenciando as práticas da operação ou tem influenciado também o portfólio de produtos, diversificando o foco em bebidas alcóolicas?

Além da sustentabilidade ser há muito tempo parte da nossa história, do nosso dia a dia, é muito natural as pessoas já olharem com esse viés. Todo mundo tem bastante autonomia e as áreas se relacionam muito bem, de forma colaborativa, então as ideias podem partir tanto do time de sustentabilidade, quanto do time de inovação, de marketing. Sempre com um olhar muito forte para o consumidor, que está cada vez mais exigente e olhando para a sustentabilidade, temos visto a demanda aumentando e pesquisas provando isso. E assim vamos trabalhando as diferentes frentes, como a conexão do consumidor com a saudabilidade.

O que gosto de falar sobre a Ambev é que não é só o time de sustentabilidade que pensa em sustentabilidade, ela está espalhada para todo mundo. Temos várias pessoas criando iniciativas e que de repente contam para nós o resultado do que têm feito, é uma coisa recorrente que já está acontecendo. Inclusive, não foi difícil trazer novas metas, porque todo mundo já faz o link, traz as propostas de acordo com o que o consumidor está ollhando.

 

20:00 | Uma dor muito recorrente que ouço em conversas com executivos é sobre ampliar essa agenda para além da área de sustentabilidade, que você comentou que funciona muito bem. Como foi esse processo interno para terem esse resultado hoje?

Isso sempre esteve no dia a dia de forma natural. Antes de 2018 as cervejarias e refrigeranteiras já tinham metas claras de sustentabilidade há muitos anos, então já há números relevantes, por exemplo a redução de gases de efeito estufa, que desde 2003 já reduzimos 63%. Então esse olhar é muito presente. Temos, por exemplo, uma iniciativa global que começa no dia mundial da água, dura dois meses, e termina na semana mundial do meio ambiente, em que todas as operações trazem novas soluções, ideias que desenvolveram ao longo desse período.

Nosso time teve, sem dúvidas, um trabalho de conectar com as pessoas e mostrar o que estávamos fazendo e como isso pode conectar com cada marca. Nós estamos muito atualizados com o que outras empresas no mundo estão fazendo, trazendo essas soluções pra cá, e os funcionários também estão cada vez mais com esse olhar. Todo mundo fala do assunto em reuniões, de time, de sócios e convenções de vendas. 

Saiu uma pesquisa da Mintel onde indica que 60% consumidores atribuem sustentabilidade à reciclagem, isso nos ajuda também com nossa meta de embalagem circular. Ainda, na mesma pesquisa, indicou que 49% dos brasileiros associam alimentação saudável com sustentabilidade. Muitas pesquisas estão mostrando que o consumidor está mais consciente, então nos baseamos nisso para entregar o que o consumidor está querendo. Não tem como, é assim, e você está sendo cego se não fizer conexão com o assunto no que você está criando no dia a dia.

É até difícil falar como isso começou, porque é de forma natural. Por exemplo, quando eu comecei a questionar sobre meu propósito e o que estava fazendo, eu era de outra área, de certa forma separada da Ambev, e mesmo assim para mim era muito presente o que estávamos anunciando de metas e o que havíamos conquistado até então, e isso vale pra todos os funcionários de todas as áreas. 

25:50 | Antes de falar de inovação aberta, gostaria de saber quais outras soluções internas têm sido importantes para o alcance da meta?

Sempre houve esse desafio entre as cervejarias e refrigeranteiras, que é um desafio global, que tem início no dia mundial da água, eles trabalham ao longo do tempo em soluções. No ano passado, por exemplo, que estávamos em casa, falamos de soluções mais pessoais, do dia a dia em casa, como reutilização de água, destinação de resíduos e outros. Fizemos posts no instagram com hashtags, foi um engajamento interno com práticas que aprenderam dentro da empresa. Isso é só um exemplo do que incentivamos dentro das operações, para eficiência no consumo de água e energia. Hoje fomos benchmark em produção de cerveja com menos hectolitros de água.

Tem ainda a questão da diversidade e inclusão. Eu tenho quase nove anos de companhia e vi muito essa evolução, é muito bacana ver isso, viver e fazer parte. Eu não posso dizer que não precisei mudar porque já tinha essa cabeça, muito pelo contrário, somos todos nós que estamos evoluindo e aprendendo essa cultura. Estamos numa jornada de evolução da cultura da companhia e as pessoas estão mais abertas, ouvindo mais, com mais diversidade de gênero, racial e de pensamentos e ideias. 

No ano passado lançamos compromissos em relação à equidade racial para nossa cadeia, fornecedores e funcionários, fazendo treinamentos também, com um comitê racial e métricas internas. Nós fomos muito questionados e fomos atrás de números para saber como estávamos e começamos a dar muito mais transparência de como estamos evoluindo nas diferentes frentes de sustentabilidade. No ponto de vista de governança, elegemos duas mulheres para o conselho de administração, e agora estamos com três. 

Temos incentivado cada vez mais nossos funcionários a trazerem ideias que vão além do dia a dia deles, lançamos desafios, hackathons, aceleradora interna, e investimos nas melhores propostas. A pandemia nos mostrou muito a importância de trabalhar em conjunto, que conseguimos crescer mais e ter um impacto muito maior tanto dentro de casa quanto pra fora. 

32:20 | Vocês chegam a vincular remuneração variável, de bônus, definidas a partir das metas de sustentabilidade?

Temos diversas pessoas com as metas de sustentabilidade atreladas a bônus. Todos os funcionários têm metas, e por exemplo, na minha equipe todos têm metas de sustentabilidade. As diretorias diretamente envolvidas, por exemplo, packaging, têm metas relacionadas ao conteúdo reciclado e retornabilidade. De energia, tem contratação de energia renovável. A maioria dos VPs também têm metas na remuneração relacionadas à sustentabilidade, como de Gente e Gestão, para diversidade e inclusão. Nossos funcionários são também avaliados pelas entregas ‘a mais’, então por mais que não esteja escrito, as pessoas trazem coisas relacionadas a isso pela paixão também. A sustentabilidade está distribuída na companhia inteira, alguns porque faz parte da sua entrega, porque está escrito, e outros porque visualizam o ganho que uma iniciativa pode trazer a longo prazo. A gente não trabalha só por metas, e isso é muito importante.

34:50 | Qual o papel das startups de impacto perante as metas de sustentabilidade? Quando perceberam que era preciso olhar pra isso e como foi construída a Aceleradora 100+?

Quando lançamos as metas, em 2018, eram super ambiciosas, não são nada triviais. Percebemos que não somos sabedores de tudo, e levantamos a barra para chegar lá, mas sabemos que não vamos chegar sozinhos. Sabemos que tem muitas startups com ideias inovadoras que conseguem tirar do papel muito mais rápido que a gente. Quando fizemos a ZX Ventures foi um pouco disso, para separar um pouco o negócio, porque se a gente quiser virar esse ‘transatlântico’ pra fazer um MVP que pode não dar certo, estamos tirando o foco do que sabemos que é o nosso dia a dia. 

Hoje conseguimos fazer isso com muito mais clareza. Eu diria que a forma como atuamos ao longo da pandemia, de mudar para fabricar álcool em gel, colocar o time para construir um hospital, foi resultado desse aprendizado e amadurecimento ao longo dos anos. Então faz parte reconhecer que outras pessoas, empreendedores, focados naquela solução, conseguem tirar do papel, fazer um teste pequeno junto ao nosso conhecimento. 

A Aceleradora traz muito isso, e tenho super orgulho, porque é uma troca. Do mesmo jeito que a startup está trazendo uma solução para testar na nossa operação, a gente troca com gestão, com uma rede riquíssima de contatos. Inclusive as startups que aceleramos estão fazendo negócio entre elas, formando pontes por meio do programa e aumentando o impacto.

38:00 | Quais têm sido os desafios e aprendizados desses primeiros anos da Aceleradora 100+, que já está na terceira edição e este ano vai acontecer em parceria com o Quintessa e a PPA?

O que estamos apresentando nesta terceira edição é resultado do que aprendemos nas duas primeiras. Na segunda fomos impactados pela pandemia mas conseguimos trabalhar super bem. Ouvimos bastante as startups, e desta vez estamos tentando selecionar startups muito próximas sob o ponto de vista de maturidade, para que os encontros em grupo (intensive learning) sejam interessantes para todos, havendo mais engajamento.

Vimos também a importância de um engajamento, proximidade e comprometimento dos nossos sponsors internos, que são os funcionários que vão acompanhar as startups, e nós que coordenamos o programa acompanharmos isso e termos métricas como NPS dos sponsors. Precisamos fazer ao longo do programa para ajustar rápido, e não somente descobrir ao final do programa que não teve fit do mentor ou sponsor com a startup, perdendo uma oportunidade.

Outros aprendizados foram ouvir de coração aberto o que as startups têm para nos falar, dores que estão sentindo, e que podemos conectar com outras pessoas que podem apoiar. A qualidade e engajamento do time das startups é importante, fomos colocando isso no formulário: se são pessoas de fato comprometidas ou estão se dedicando a outras iniciativas também. Se é ainda uma ideia, ou se já está amadurecida para podermos dar tração.

A gente quer receber inscrições, queremos conhecer, nos conectar e se não for selecionado para a aceleradora, pode caber em outra oportunidade que temos aqui dentro, ou fazer pilotos, independente da aceleração. A aceleradora foi uma grande pioneira dentro da Ambev nessa conexão e nos trouxe muitos aprendizados que estamos aplicando em outros programas e oportunidades.

42:00 | Vocês têm iniciativas em parceria não só com as startups, mas com cooperativas e outros atores. Quais outras iniciativas de inovação aberta destacaria nesse sentido e a importância dessas parcerias para a Ambev?

A aceleradora acabou sendo um chamariz, cada vez mais temos recebido ideias, seja via e-mail, Linkedin, ou conhecidos. Por exemplo, pessoas estudando tipos de bioplásticos para nos apresentar. O compromisso do plástico também foi um grande chamariz para empreendedores, empresas e universidades querendo testar soluções conosco.

No início do ano rodamos um programa de inovação aberta focado em embalagem circular e consumo responsável, que acabou indo além e trouxe ideias de cidadãos comuns de todo o Brasil para serem testadas e receber mentorias. E como prova de que a sustentabilidade está espalhada pela companhia, foi uma iniciativa do time de marketing. Uma vez que fazemos, os outros se movimentam para fazer acontecer.

Com as nossas conexões, estamos trazendo a Pepsi, DSM, Google, Unilever para participar do Pitch Day da Aceleradora, e também dá a oportunidade para as startups fazerem negócios com todos eles.

A porta de entrada não é só a aceleradora. No nosso compromisso de diversidade racial na cadeia de valor, estamos apresentando para os compradores das regionais os produtos e serviços que eles costumam contratar que sejam de fornecedores com diversidade racial. Então temos startups, pequenos empreendedores, universitários, fazendo essas apresentações internamente para diferentes áreas da companhia.

45:00 | Para finalizar, quais dicas daria para executivos e empresas que estão iniciando agora na temática?

O conceito do ESG é muito norteador, dá pra saber bem o que olhar. 

É preciso eliminar a conclusão que existia de que ser sustentável é mais caro, isso não é verdade. Eventualmente, não necessariamente, pode exigir um investimento maior no início, mas que a longo prazo é muito mais sustentável ambiental, social e financeiramente. Foi-se o tempo em que todas as soluções mais sustentáveis eram mais caras.

Outra dica é testar e saber que pode errar. Não fazer sozinho, fazer parcerias e aprender com quem está fazendo. Sustentabilidade não ‘poderia ser algo de valor’, ela necessariamente vai ser, e as empresas estão sendo e vão ser cada vez mais cobradas pelo que estão fazendo em relação a isso – no ambiental, social e governança.

A governança é o que define tudo e os consumidores estão cada vez mais exigentes, querendo transparência, saber o lado bom e o lado ruim, o que não está dando certo. Isso é uma quebra de paradigmas, um exercício que estamos fazendo, de falar o que deu errado e o que aprendemos, acabando com essa política de que todo mundo é perfeito e não erramos em nada, estamos todos na mesma jornada. E para quem está começando, já começar com esse pensamento.

O Social, por exemplo, é pagar em dia e dentro da lei os seus funcionários, garantir a segurança dos funcionários na operação, é 70% dentro de casa e 15% para sua cadeia de valor e 15% para a comunidade que se relaciona. Tem muita coisa trivial que precisa ser feita em ESG, e eu fico à disposição para conversar!

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