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  • março 22, 2026

DeepClimate seleciona 10 deeptechs climáticas brasileiras com potencial de transformar ciência em desenvolvimento econômico 

Programa brasileiro dedicado a deeptechs climáticas de base científica anuncia sua turma inaugural — soluções que combinam biotecnologia, IA, captura de carbono, energia renovável, tratamento de água, IoT e nanotecnologia para enfrentar a emergência climática com escala e profundidade.

São Paulo, março de 2026. 

A crise climática exige transformações estruturais nos sistemas produtivos e energéticos globais. Energia e indústria respondem, juntas, por mais de 70% das emissões globais de gases de efeito estufa, com destaque para setores de difícil descarbonização como cimento, aço, químicos e infraestrutura energética. Sem mudanças profundas, estima-se que as mudanças climáticas possam reduzir o PIB global entre 11% e 14% até 2100 — o equivalente a US$ 23 trilhões por ano.

O Brasil reúne condições singulares para liderar a resposta a esse desafio: concentra 70% dos pesquisadores, 58% das patentes da América Latina, mas menos de 30% deste total se converte em negócios de fato. Existe um gap crítico entre o laboratório e o mercado. E também o gap de sustentabilidade financeira, cerca de 52% das deeptechs brasileiras estão em estágio intermediário de maturidade tecnológica (TRL 4 a 8), 30% ainda não fatura e menos de 10% ultrapassou o marco de R$ 3 milhões em receita em 2024.

Quando questionadas sobre seus principais obstáculos, as deeptechs apontam dois grandes eixos: (1) infraestrutura e validação aplicada — ausência de plantas-piloto, laboratórios e parceiros industriais capazes de testar e certificar tecnologias em escala; e (2) acesso ao mercado — dificuldade em se conectar com grandes empresas e órgãos públicos. Há também desafios de complexidade regulatória e escassez de mão de obra técnica especializada.

É exatamente nesse ponto crítico — o vale da morte entre a ciência e a adoção pelo mercado — que o DeepClimate atua.

Liderado pelo Quintessa, financiado pela The Lemelson Foundation e com apoio do Instituto Clima e Sociedade (iCS), O DeepClimate uma das iniciativa pioneiras no Brasil estruturada especificamente para acelerar a maturidade de soluções científicas e tecnológicas voltadas ao clima. Seu foco é que essas tecnologias avancem da bancada ao mercado nacional e internacional, posicionando o Brasil como provedor global de soluções climáticas de base científica.

A iniciativa tem em sua base a formação de um ecossistema de atores estratégicos, combinando assistência técnica especializada e conexões qualificadas entre academia, setor privado, instituições públicas e investidores — com alinhamento explícito à Nova Indústria Brasil e ao Plano de Transformação Ecológica do governo federal.

O DeepClimate foi concebido como uma iniciativa contínua e estruturante — não pontual —, com potencial de se tornar uma plataforma permanente de articulação entre ciência, indústria e capital, fortalecendo a base produtiva e tecnológica brasileira no contexto da transição climática.

“O Brasil não pode continuar exportando paper e importando tecnologia. Quando falamos de Deeptechs, acelerar não é sobre velocidade – é sobre reduzir entropia. É preciso programas que traduzam ciência em mercado, conectando laboratório, indústria, governo e capital”, pontua Caroline Gibim, coordenadora do programa no Quintessa. 

Antes de selecionar as soluções para aceleração, O DeepClimate realizou o Panorama DeepClimate Brasil 2025 — o primeiro mapeamento nacional dedicado exclusivamente a deeptechs climáticas de base científica e tecnológica. O estudo abrange quatro áreas temáticas prioritárias:

      • Uso da terra, descarbonização da agricultura e soluções baseadas na natureza

      • Descarbonização da indústria e energia

      • Água, saneamento e economia azul

      • Desastres climáticos e justiça climática

    O Panorama foi apresentado na COP30 — na Blue Zone, no stand da WCF (World Climate Foundation), e na Green Zone, no stand da ABDI (Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial) — reforçando o protagonismo brasileiro na agenda climática global. O estudo está disponível para download gratuito.

    A partir de 254 inscrições, uma banca técnica formada por Caos Focado, IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas) e Wylinka selecionou as 10 deeptechs com maior combinação de base científica sólida, aplicabilidade prática e potencial de impacto climático. Conheça as selecionadas:

        • BioUs: Transforma resíduos agroindustriais em biopolímeros biodegradáveis (PHA) e biofertilizantes para agricultura regenerativa — uma alternativa concreta a plásticos fósseis e fertilizantes químicos que pode reconfigurar cadeias inteiras do agronegócio.

        • Dana Agro: Desenvolve bioinsumos capazes de proteger lavouras contra eventos climáticos extremos — seca, calor e enchentes — substituindo insumos químicos e tornando a produção agrícola mais resiliente à instabilidade climática crescente.

        • DCO Sustentável: Leva microgeração de energia renovável a territórios isolados, com foco na Amazônia Legal. Seu portfólio inclui hidroturbina, turbina eólica, turbina a vapor e soluções em biogás — transformando comunidades remotas em polos de energia limpa.

        • DeepESG: Plataforma de IA e machine learning para mensuração, monitoramento e reporte ESG com inventários de carbono automatizados — eliminando a opacidade nos dados climáticos corporativos e viabilizando gestão climática baseada em evidências.

        • GLR Tech: Tecnologia de captura e tratamento dinâmico de gases industriais com impacto direto em cimento, mineração, papel e celulose, óleo e gás e logística pesada — setores que hoje concentram as emissões mais difíceis de eliminar.

        • GreenBug: Sensores acústicos autônomos com IA e hardware de baixo consumo que detectam sons naturais e atividades humanas — motosserras, fogo, fauna — em tempo quase real, criando um sistema de alerta precoce para desmatamento e crimes ambientais.

        • O2Eco: Combina tecnologias baseadas na natureza com engenharia limpa para regeneração hídrica e gestão eficiente de lodo — reduzindo custos operacionais e riscos ambientais para empresas com alta exposição à escassez de água.

        • Protium Dynamics: Acelera a descarbonização de indústrias, transporte e sistemas de energia com soluções em hidrogênio renovável, reduzindo o consumo de diesel e as emissões associadas em setores de alta intensidade carbônica.

        • Simar: Plataforma de geoprocessamento para comunicação de emergências em tempo real: identifica populações em alto risco, apoia gestores na tomada de decisão e estrutura planos de ação para crises climáticas com velocidade e precisão.

        • Teiu Energia: Cria novos materiais para baterias e supercapacitores a partir de rejeitos minerais, ampliando a estabilidade de sistemas de energia renovável com menor custo e menor pegada de carbono — inovação de materiais a serviço da transição energética.

      “O planeta precisa de soluções que reduzam emissões e substituam insumos fósseis. Na BioUs, transformamos resíduos em bioprodutos de baixo carbono, e o DeepClimate fortalece nossa escala com métricas climáticas sólidas, mentorias especializadas e conexões estratégicas para captação e implementação.” — Raimundo, fundador da BioUs

      Ao longo do ano, as 10 deeptechs participarão de trilhas de aceleração individuais e coletivas, integrando uma comunidade estruturada de conexões com indústria e fundos de investimento. O programa foi desenhado a partir de uma metodologia proprietária do Quintessa — adaptada especificamente para o contexto de deeptechs climáticas, considerando maturidade tecnológica (TRL), ciclos longos de desenvolvimento e pilotos industriais.

      O acompanhamento inclui mentorias técnicas e tecnológicas conduzidas pelo Quintessa em conjunto com o IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas), referência nacional em validação tecnológica e rotas de escalonamento industrial — garantindo rigor científico.

      Além do amadurecimento empresarial, o DeepClimate introduz uma camada adicional: a mensuração do impacto climático para estimar toneladas de CO₂ evitadas ou reduzidas por cada solução em comparação às alternativas convencionais — alinhando escala econômica com impacto ambiental mensurável.

      O DeepClimate conta com o engajamento de uma ampla rede de parceiros institucionais, acadêmicos e de mercado com abrangência nacional:

          • Ministérios e órgãos públicos: MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), MCTI (Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação), SCTI-SP (Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado de São Paulo)

          • Parceiros internacionais: Climate-KIC, Swissnex, NVIDIA

          • Ecossistema de inovação: Climate Ventures, Fórum Brasileiro de Climatechs, Caos Focado, Wylinka, Emerge, Sebrae for Startups, IPT, FUNDEPAR, FM/Derraik, KPTL.

        • março 22, 2026
        • 1:40 pm
        • Destaque, Textos

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        Desde 2009, o Quintessa estrutura e implementa iniciativas focadas em clima e desenvolvimento econômico, junto a empresas, investidores, filantropos e instituições públicas. 

         
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