O Quintessa e a Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa do Agronegócio (Fundepag) promoveram, no último dia 21 de outubro, o Conexão Água — encontro voltado à discussão dos desafios e oportunidades relacionados à segurança hídrica no Estado de São Paulo. Realizado em Porto Feliz (SP), o evento reuniu cerca de 40 representantes do poder público, empresas, especialistas e comunidade local, com o objetivo de fomentar diálogos sobre o uso sustentável da água em um cenário de crescente pressão sobre os recursos hídricos.
Porto Feliz, cidade-sede do encontro, enfrenta um cenário de escassez hídrica semelhante ao de municípios vizinhos como Itu, Salto e Sorocaba — regiões que já sofreram com crises de abastecimento e hoje vivenciam um ciclo acelerado de desenvolvimento urbano e industrial. Esse contexto reforça a urgência de estratégias integradas de gestão da água, capazes de equilibrar crescimento econômico e preservação ambiental.
Com uma proposta de imersão no tema, a programação do Conexão Água foi composta por três painéis.
O primeiro painel, “Planejamento Territorial e Segurança Hídrica do Estado de São Paulo – Desafios e Potencialidades”, reuniu Natalia Micossi (SEMIL), Marco Aurélio Nalon e Jussara de Carvalho (IPA), e Rafael Leite (SP Águas), sob mediação de Lívia Neves, da Fundepag.
As apresentações trouxeram dados sobre o mapeamento da vegetação nativa do Estado, o Programa Refloresta SP e as novas políticas de adaptação climática e restauração ecológica, evidenciando que a segurança hídrica está profundamente conectada ao uso e parcelamento do solo.
O debate destacou a necessidade de planejamento territorial integrado — uma transição de visão setorial para sistêmica, na qual floresta, solo e água são tratados como dimensões complementares de um mesmo sistema de resiliência climática.
“A proposta foi fomentar o diálogo. Não se trata de reinventar a roda, mas de compreender e acolher diferentes perspectivas em prol de um planejamento territorial integrado e da segurança hídrica no Estado”, pontuou Lívia Neves.
O segundo painel, “Como a Heineken e a SOS Mata Atlântica vêm colaborando para segurança hídrica na região de Porto Feliz”, apresentou experiências concretas de colaboração intersetorial. Com mediação de Ana Paula Trevizan, líder da unidade de negócio de Água do Quintessa, o painel contou com Virgínia Sodré (IFTH e cofundadora da Água de Valor) e Cesar Pegoraro (SOS Mata Atlântica), além da participação remota de Breno Aguiar de Paula (Heineken).
As discussões abordaram o fortalecimento do conceito “Water Positive”, que propõe que empresas regenerem mais água do que consomem, e mostraram como as práticas de Water Stewardship têm se tornado essenciais para a resiliência do negócio.
“Pudemos conhecer como o engajamento do setor privado com o tema de segurança hídrica cresceu, o fortalecimento do conceito de ser ‘água positivo’ e como a Water Positive vem impulsionando a agenda. Vimos na prática como a colaboração entre diferentes setores em programas de conservação de bacias pode gerar resultados estratégicos tanto para a companhia quanto para a sociedade civil”, destacou Trevizan.
O painel reforçou a ideia de que parcerias bem estruturadas geram resultados mensuráveis em conservação, reposição e qualidade da água, conectando metas ambientais e reputacionais de empresas com os objetivos coletivos de segurança hídrica regional.
Encerrando a programação, o painel “Como os diferentes setores podem cooperar para garantir segurança hídrica e desenvolvimento econômico resiliente da região” reuniu Tiara Otávio (SAAE Porto Feliz), André Cordeiro (CBH-SMT), Gerson Almeida Filho (IPT) e Allan Cellim da Silva (CETESB), sob mediação de Allan Alves, gestor de projetos do Quintessa. A discussão destacou que a segurança hídrica não se constrói apenas com planos e diagnósticos, mas com ação e corresponsabilidade, unindo técnica, gestão e participação social. “São nos territórios que as soluções precisam ganhar forma. Porto Feliz e toda a região têm potencial para mostrar que desenvolvimento e cuidado com a água podem caminhar juntos”, concluiu Alves.
Para Adriana Verdi, diretora executiva da Fundepag, o evento reforça a evolução da instituição em direção a uma atuação agroambiental integrada. “Discutir governança aliada ao planejamento territorial, com foco na preservação das bacias hidrográficas, é um passo importante nessa jornada”, afirmou.
A sócia e Co-CEO do Quintessa, Anna de Souza Aranha, encerrou o encontro ressaltando o caráter de continuidade da iniciativa: “O objetivo foi abrir o diálogo sobre segurança hídrica, inicialmente com foco nesta região do interior paulista. Este trabalho conjunto está apenas começando.”
O Conexão Água não se encerra no encontro em Porto Feliz — ele se desdobra em um plano de ação concreto para a sustentabilidade hídrica da região. Em fase de captação de recurso – o objetivo depois desta etapa é a realização do Diagnóstico Ambiental da Área de Proteção Ambiental (APA) Avecuia, que será o “marco zero” na gestão integrada da área responsável pelo abastecimento da cidade. A primeira etapa também envolverá o mapeamento georreferenciado e o estudo hidrológico da região, incluindo análises de qualidade da água e dinâmica dos cursos hídricos. Na sequência, serão mapeadas leis, políticas públicas e incentivos relacionados à gestão ambiental e hídrica, permitindo compreender o contexto regulatório e identificar oportunidades de melhoria.
Um terceiro eixo contemplará o levantamento social, da fauna e da flora, com foco em entender a relação da comunidade com o território e as pressões sobre os recursos naturais. A partir dessas informações, será elaborada uma compilação de recomendações e um plano de ação, com medidas práticas e indicadores de monitoramento. O processo será concluído com uma etapa de captação de recursos para implementação, garantindo que as propostas não fiquem no campo da intenção, mas avancem para a execução efetiva.
O Conexão Água representou um primeiro passo no alinhamento entre diferentes setores em torno da pauta da segurança hídrica. A partir da integração entre governo, setor privado e sociedade civil, o encontro permitiu identificar lacunas, convergências e oportunidades de cooperação que orientam as etapas seguintes de trabalho.
O evento reforçou a importância de iniciativas estruturadas com base em dados técnicos, governança compartilhada e continuidade institucional. Nesse sentido, o papel do Quintessa foi o de facilitar o diálogo e coordenar agendas que unem conhecimento científico, planejamento territorial e ação colaborativa.
Mais do que um fim em si mesmo, o Conexão Água se consolida como um instrumento de articulação e diagnóstico voltado à construção de soluções concretas para a gestão hídrica regional — com foco em evidências, integração de atores e viabilidade de execução.


