São Paulo, março de 2026.
A crise climática exige transformações estruturais nos sistemas produtivos e energéticos globais. Energia e indústria respondem, juntas, por mais de 70% das emissões globais de gases de efeito estufa, com destaque para setores de difícil descarbonização como cimento, aço, químicos e infraestrutura energética. Sem mudanças profundas, estima-se que as mudanças climáticas possam reduzir o PIB global entre 11% e 14% até 2100 — o equivalente a US$ 23 trilhões por ano.
O Brasil reúne condições singulares para liderar a resposta a esse desafio: concentra 70% dos pesquisadores, 58% das patentes da América Latina, mas menos de 30% deste total se converte em negócios de fato. Existe um gap crítico entre o laboratório e o mercado. E também o gap de sustentabilidade financeira, cerca de 52% das deeptechs brasileiras estão em estágio intermediário de maturidade tecnológica (TRL 4 a 8), 30% ainda não fatura e menos de 10% ultrapassou o marco de R$ 3 milhões em receita em 2024.
Quando questionadas sobre seus principais obstáculos, as deeptechs apontam dois grandes eixos: (1) infraestrutura e validação aplicada — ausência de plantas-piloto, laboratórios e parceiros industriais capazes de testar e certificar tecnologias em escala; e (2) acesso ao mercado — dificuldade em se conectar com grandes empresas e órgãos públicos. Há também desafios de complexidade regulatória e escassez de mão de obra técnica especializada.
É exatamente nesse ponto crítico — o vale da morte entre a ciência e a adoção pelo mercado — que o DeepClimate atua.
Liderado pelo Quintessa, financiado pela The Lemelson Foundation e com apoio do Instituto Clima e Sociedade (iCS), O DeepClimate uma das iniciativa pioneiras no Brasil estruturada especificamente para acelerar a maturidade de soluções científicas e tecnológicas voltadas ao clima. Seu foco é que essas tecnologias avancem da bancada ao mercado nacional e internacional, posicionando o Brasil como provedor global de soluções climáticas de base científica.
A iniciativa tem em sua base a formação de um ecossistema de atores estratégicos, combinando assistência técnica especializada e conexões qualificadas entre academia, setor privado, instituições públicas e investidores — com alinhamento explícito à Nova Indústria Brasil e ao Plano de Transformação Ecológica do governo federal.
O DeepClimate foi concebido como uma iniciativa contínua e estruturante — não pontual —, com potencial de se tornar uma plataforma permanente de articulação entre ciência, indústria e capital, fortalecendo a base produtiva e tecnológica brasileira no contexto da transição climática.
“O Brasil não pode continuar exportando paper e importando tecnologia. Quando falamos de Deeptechs, acelerar não é sobre velocidade – é sobre reduzir entropia. É preciso programas que traduzam ciência em mercado, conectando laboratório, indústria, governo e capital”, pontua Caroline Gibim, coordenadora do programa no Quintessa.
Antes de selecionar as soluções para aceleração, O DeepClimate realizou o Panorama DeepClimate Brasil 2025 — o primeiro mapeamento nacional dedicado exclusivamente a deeptechs climáticas de base científica e tecnológica. O estudo abrange quatro áreas temáticas prioritárias:
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- Uso da terra, descarbonização da agricultura e soluções baseadas na natureza
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- Descarbonização da indústria e energia
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- Água, saneamento e economia azul
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- Desastres climáticos e justiça climática
O Panorama foi apresentado na COP30 — na Blue Zone, no stand da WCF (World Climate Foundation), e na Green Zone, no stand da ABDI (Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial) — reforçando o protagonismo brasileiro na agenda climática global. O estudo está disponível para download gratuito.
A partir de 254 inscrições, uma banca técnica formada por Caos Focado, IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas) e Wylinka selecionou as 10 deeptechs com maior combinação de base científica sólida, aplicabilidade prática e potencial de impacto climático. Conheça as selecionadas:
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- BioUs: Transforma resíduos agroindustriais em biopolímeros biodegradáveis (PHA) e biofertilizantes para agricultura regenerativa — uma alternativa concreta a plásticos fósseis e fertilizantes químicos que pode reconfigurar cadeias inteiras do agronegócio.
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- Dana Agro: Desenvolve bioinsumos capazes de proteger lavouras contra eventos climáticos extremos — seca, calor e enchentes — substituindo insumos químicos e tornando a produção agrícola mais resiliente à instabilidade climática crescente.
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- DCO Sustentável: Leva microgeração de energia renovável a territórios isolados, com foco na Amazônia Legal. Seu portfólio inclui hidroturbina, turbina eólica, turbina a vapor e soluções em biogás — transformando comunidades remotas em polos de energia limpa.
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- DeepESG: Plataforma de IA e machine learning para mensuração, monitoramento e reporte ESG com inventários de carbono automatizados — eliminando a opacidade nos dados climáticos corporativos e viabilizando gestão climática baseada em evidências.
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- GLR Tech: Tecnologia de captura e tratamento dinâmico de gases industriais com impacto direto em cimento, mineração, papel e celulose, óleo e gás e logística pesada — setores que hoje concentram as emissões mais difíceis de eliminar.
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- GreenBug: Sensores acústicos autônomos com IA e hardware de baixo consumo que detectam sons naturais e atividades humanas — motosserras, fogo, fauna — em tempo quase real, criando um sistema de alerta precoce para desmatamento e crimes ambientais.
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- O2Eco: Combina tecnologias baseadas na natureza com engenharia limpa para regeneração hídrica e gestão eficiente de lodo — reduzindo custos operacionais e riscos ambientais para empresas com alta exposição à escassez de água.
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- Protium Dynamics: Acelera a descarbonização de indústrias, transporte e sistemas de energia com soluções em hidrogênio renovável, reduzindo o consumo de diesel e as emissões associadas em setores de alta intensidade carbônica.
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- Simar: Plataforma de geoprocessamento para comunicação de emergências em tempo real: identifica populações em alto risco, apoia gestores na tomada de decisão e estrutura planos de ação para crises climáticas com velocidade e precisão.
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- Teiu Energia: Cria novos materiais para baterias e supercapacitores a partir de rejeitos minerais, ampliando a estabilidade de sistemas de energia renovável com menor custo e menor pegada de carbono — inovação de materiais a serviço da transição energética.
“O planeta precisa de soluções que reduzam emissões e substituam insumos fósseis. Na BioUs, transformamos resíduos em bioprodutos de baixo carbono, e o DeepClimate fortalece nossa escala com métricas climáticas sólidas, mentorias especializadas e conexões estratégicas para captação e implementação.” — Raimundo, fundador da BioUs
Ao longo do ano, as 10 deeptechs participarão de trilhas de aceleração individuais e coletivas, integrando uma comunidade estruturada de conexões com indústria e fundos de investimento. O programa foi desenhado a partir de uma metodologia proprietária do Quintessa — adaptada especificamente para o contexto de deeptechs climáticas, considerando maturidade tecnológica (TRL), ciclos longos de desenvolvimento e pilotos industriais.
O acompanhamento inclui mentorias técnicas e tecnológicas conduzidas pelo Quintessa em conjunto com o IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas), referência nacional em validação tecnológica e rotas de escalonamento industrial — garantindo rigor científico.
Além do amadurecimento empresarial, o DeepClimate introduz uma camada adicional: a mensuração do impacto climático para estimar toneladas de CO₂ evitadas ou reduzidas por cada solução em comparação às alternativas convencionais — alinhando escala econômica com impacto ambiental mensurável.
O DeepClimate conta com o engajamento de uma ampla rede de parceiros institucionais, acadêmicos e de mercado com abrangência nacional:
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- Ministérios e órgãos públicos: MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), MCTI (Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação), SCTI-SP (Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado de São Paulo)
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- Parceiros internacionais: Climate-KIC, Swissnex, NVIDIA
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- Ecossistema de inovação: Climate Ventures, Fórum Brasileiro de Climatechs, Caos Focado, Wylinka, Emerge, Sebrae for Startups, IPT, FUNDEPAR, FM/Derraik, KPTL.


