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  • novembro 19, 2025

Brasil apresenta primeiro mapeamento nacional focado em deeptechs climáticas

Mapeamento apresentado pelo Quintessa destaca 254 soluções brasileiras científicas e tecnológicas focadas na mitigação e adaptação climática

Belém (PA), 19 de novembro de 2025 – Durante a COP30, o Quintessa lança oficialmente o Panorama DeepClimate Brasil 2025, o primeiro mapeamento do país dedicado às deeptechs climáticas: iniciativas empreendedoras, ou com potencial empreendedor, com soluções para o clima baseadas em pesquisa intensiva, inovação científica e tecnologia de ponta. 

O estudo abrange quatro áreas temáticas prioritárias: Uso da terra, descarbonização da agricultura e soluções baseadas na natureza; Descarbonização da indústria e energia; Água, saneamento e economia azul; e Desastres climáticos e justiça climática.

Alinhado a políticas públicas, como a Nova Indústria Brasil e o Plano de Transformação Ecológica, e às diretrizes do MCTI para o fortalecimento da base científica e tecnológica nacional, o estudo oferece inteligência de dados e evidências para orientar estratégias de investimento, políticas públicas e programas de fomento, bem como dá visibilidade das soluções existentes para o mercado, investidores e stakeholders. 

A publicação integra a iniciativa DeepClimate – Ciência e Tecnologia Brasileira para o Clima, idealizada e realizada pelo Quintessa com o objetivo de gerar pipeline qualificado de inovações científicas e tecnologias disruptivas com alto potencial de contribuição para a mitigação e adaptação das emergências climáticas no país. O foco é que ganhem maturidade e sejam adotadas pelo mercado, bem como que o Brasil seja posicionado como provedor de soluções no cenário global. 

A iniciativa, nacional, tem em sua base a formação de um ecossistema de atores estratégicos, combinando assistência técnica e conexões qualificadas entre academia, setor privado, instituições públicas e investidores.  

O Panorama DeepClimate Brasil 2025 identificou 254 deeptechs climáticas, distribuídas nos quatro eixos prioritários:

  • Descarbonização da indústria e energia – 37%
  • Uso da terra, descarbonização da agricultura e soluções baseadas na natureza – 32%
  • Desastres climáticos e justiça climática – 16%
  • Água, saneamento e economia azul –  15%

Os números mostram que trata-se de um segmento de mercado em crescimento: 80% das deeptechs climáticas brasileiras mapeadas foram fundadas na última década, indicando um salto inédito. A aceleração, especialmente após 2016, coincide com políticas como o Marco Legal de Ciência, Tecnologia e Inovação (2016) e o Programa Centelha/Finep (2019).

Em termos das bases tecnológicas que sustentam a solução principal, Inteligência Artificial (IA)/Machine Learning e Biotecnologia/Biologia Sintética lideram as respostas, somando 42% do total. A IA é transversal, aplicada do monitoramento florestal à eficiência energética, enquanto a Biotecnologia avança em bioinsumos, bioembalagens, melhoramento genético e restauração ecológica.

A academia possui um papel central como originadora da inovação climática: cerca de 65% das deeptechs mantêm vínculos ativos com universidades e centros de pesquisa. Além disso, universidades, incubadoras e parques tecnológicos são origem dos recursos para infraestrutura de 57% das iniciativas. 

O levantamento também revela um ecossistema fortemente sustentado por recursos públicos. Sobre as fontes que compõem 50% do valor total já recebido desde o início das atividades, cerca de 44% das iniciativas mencionaram o apoio de recursos de fomento (PIPE-FAPESP, Finep Start, Catalisa ICT, Sebrae, entre outros). Em termos do volume total de recursos financeiros já recebidos, aproximadamente 51% das iniciativas recebeu entre R$ 100 mil e R$ 3 milhões desde a sua fundação e apenas 6% passou do volume dos R$ 10 milhões. 

Há uma alta demanda por investimento de venture capital: apesar de 65% nunca ter recebido recursos deste tipo, 73% tem interesse neste tipo de captação para os próximos 12 meses.

Há um nítido desafio na transição entre o estágio de desenvolvimento em laboratório e o momento de adesão de mercado e crescimento. Apesar de cerca de 52% das iniciativas estarem entre os níveis TRL 4 e 8 (Technology Readiness Level), ou seja, em um estágio de prontidão tecnológica intermediário, 30% das deeptechs não faturou e menos de 10% ultrapassou o marco de R$ 3 milhões em receita em 2024.

Além do desafio em termos de sustentabilidade financeira, há um desafio de diversidade dentro do ecossistema: regional, de gênero e étnico-racial.

Na composição do perfil de sócios ou dirigentes, 73% é exclusivamente masculina ou de maioria masculina. Ainda é rara a presença de deeptechs climáticas formadas exclusivamente por sócias ou dirigentes mulheres: apenas 7,5% do total. 

No aspecto racial e étnico, o cenário também não apresenta diversidade: mais de 65% apresenta sócios ou dirigentes, na sua maioria ou exclusivamente, brancos. Pernambuco e Bahia se destacam positivamente: em PE, 36% das iniciativas mapeadas possuem sócios ou dirigentes com maioria negra ou indígena e 18% exclusivamente negras; na BA, 40% das lideranças são negras, os índices mais altos do país.

Na questão geográfica, apesar das regiões Sudeste e Sul concentrarem cerca de 76% das deeptechs climáticas, há pólos de inovação que despontam no Norte (9%), Nordeste (9%) e Centro-Oeste (6%) com destaque para os Estados de Amazonas, Pará, Pernambuco e Goiás, refletindo a expansão de ecossistemas ligados à bioeconomia, floresta em pé, energia limpa e agronegócio tecnológico.

“Há um movimento de descentralização da inovação climática, com polos emergentes em biomas como Amazônia, Caatinga e Cerrado. Essa interiorização gradual representa um avanço, ao aproximar pesquisa científica, desafios territoriais e aplicação prática das tecnologias”, explica Carol Gibim, especialista em deeptechs do Quintessa.

Quando questionadas sobre os principais desafios enfrentados atualmente, as deeptechs mencionaram dois grandes eixos: (1) infraestrutura e validação aplicada, com ausência de plantas-piloto, laboratórios e parceiros industriais capazes de testar e certificar tecnologias; (2) clareza de como acessar o mercado e parcerias comerciais, havendo dificuldade em se conectar com potenciais clientes, especialmente grandes empresas e órgãos públicos. Há segmentos que mencionam também desafios de complexidade regulatória e falta de mão de obra técnica, obstáculos que também retardam o amadurecimento do ecossistema.

“O Panorama revela que existe um ecossistema de deeptechs climáticas brasileiras em crescimento e com alto potencial de agregação para o desenvolvimento econômico resiliente do país. O momento, de  desenvolvimento mercado, requer a atuação integrada entre os setores: instituições públicas de fomento, grandes empresas, investidores e filantropos. O DeepClimate nasce como uma resposta à esse cenário, oferecendo assistência técnica de qualidade e uma ponte estratégica de conexão entre a ciência e o mercado”, afirma Anna de Souza Aranha, sócia e co-CEO do Quintessa.

“Além disso, é essencial garantir a continuidade e previsibilidade dos recursos de fomento, a criação de mecanismos de capital paciente e híbrido e o fomento de ambientes de infraestrutura e validação técnica das soluções. Há também muito espaço para avançar a partir do poder de compra do Estado e da atração de capital internacional”, complementam Gibim e Aranha.

Ao gerar análises qualificadas de forma pública, o Panorama DeepClimate busca fortalecer o papel do Brasil como uma economia resiliente no ecossistema internacional: um país que reúne as condições para ser protagonista da inovação climática de base científica e tecnológica, respondendo à crise com escala e profundidade, e transformando ciência em vantagem competitiva global.

O Panorama DeepClimate Brasil 2025 é uma realização do Quintessa, com financiamento da The Lemelson Foundation e parceria institucional do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado de São Paulo (SCTI-SP).

A iniciativa conta ainda com o apoio de Climate-KIC, Climate Ventures, Fórum Brasileiro de Climatechs, Caos Focado, Wylinka, Emerge, Sebrae for Startups, IPT, Swissnex, Nvidia, FUNDEPAR, FM/Derraik e KPTL, além de universidades, parques tecnológicos e incubadoras de todo o país.

O estudo é público e pode ser acessado de forma gratuita em: www.deepclimate.com.br

 

Sobre o Quintessa

Desde 2009, o Quintessa estrutura e implementa iniciativas focadas em clima e desenvolvimento econômico, junto a empresas, investidores, filantropos e instituições públicas. Pioneiro no país, atua com soluções empreendedoras e iniciativas intersetoriais, detendo o maior pipeline de inovações de impacto do Brasil e ampla rede de relacionamento com o mercado, com mais de R$ 270 milhões em investimentos mobilizados. Saiba mais: www.quintessa.org.br. 

Evento de lançamento:  

COP30 – Blue Zone no stand da World Climate Foundation. 

19 de novembro de 2025 às 13h.  

Contato para imprensa: 
Paula Cayone Leite | [email protected] | (11) 96396-4384.

 

  • novembro 19, 2025
  • 11:39 am
  • Destaque, Estudos

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Desde 2009, o Quintessa estrutura e implementa iniciativas focadas em clima e desenvolvimento econômico, junto a empresas, investidores, filantropos e instituições públicas. 

 
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